
PF prende suspeitos de fraude em concursos em João Pessoa
Uma operação da Polícia Federal que investiga um esquema fraudes em concursos públicos, entre eles provas federais, como o Conscurso Nacional Unificado (CNU). Foram cumpridos mandados na Paraíba, em Alagoas e Pernambuco. Duas pessoas foram presas em João Pessoa. Entenda abaixo quem são os investigados e os detalhes da apuração.
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A Operação Concorrência Simulada investiga a chamada "Máfia dos Concursos" e cumpriu 11 mandados de busca, além dois de prisão. Alguns dos alvos já respondem por crimes semelhantes , como, por exemplo, a dupla que foi presa.
Os dois presos são o professor de português e funcionário da Caixa Econômica Federal Dárcio de Carvalho Lopes, e Flávio Luciano Nascimento Borges, também funcionário da Caixa.
Segundo documentos aos quais o g1 teve acesso, são investigados:
Gustavo Xavier do Nascimento (Delegado-geral da Polícia Civil de Alagoas)
Eudson Oliveira de Matos
Ramon Izidoro Soares Alves
Dárcio de Carvalho Lopes da Silva Souza
Flavio Luciano Nascimento Borges
Flávio Pedro da Silva
Ingrid Luane de Souza Ferreira
Lariça Saraiva Amando Alencar
Waldir Luiz de Araújo Gomes
Mércio Xavier Costa do Nascimento
Alvanir Gomes da Silva
Quem são os investigados em operação da PF contra fraudes em concursos públicos na PB
Divulgação/Polícia Federal
Entenda quem é quem na investigação
Gustavo Xavier do Nascimento, Delegado-geral da Polícia Civil de Alagoas, é suspeito de pressionar a família que chefiava o grupo criminoso para garantir vantagens ilícitas para familiares serem aprovados em concursos.
Eudson Oliveira de Matos é um policial civil envolvido em vários crimes. Segundo a PF, ele prestou concurso para Delegado da Polícia Civil de Alagoas e seria braço direito de Gustavo Xavier.
Ramon Izidoro Soares Alves também é policial civil e atualmente é vereador. A PF apontou que ele integrava a organização criminosa repassando informações sobre operações.
Dárcio de Carvalho Lopes da Silva Souza foi detido em 2017 quando fazia uma prova para o Ministério Público do Rio Grande do Norte (MPRN). Na época, ele disse que a organização criminosa o ofereceu R$ 300 por questão respondida e que aceitou porque estava "passando por dificuldades financeiras". Foi um dos presos na Concorrência Simulada.
Flavio Luciano Nascimento Borges também é réu em outros inquéritos referentes a fraudes em concursos públicos, sendo denunciado pelo Ministério Público Estadual como líder de organização criminosa especializada em tal atividade criminosa. Também foi preso na atual operação
Flávio Pedro da Silva atuou na fraude do concurso da Polícia Federal e, possivelmente segundo a PF, foi beneficiário da fraude do CNU.
Ingrid Luane de Souza Ferreira teria fotografado as provas do CNU para que as respostas fossem enviadas por meio de ponto eletrônico.
Lariça Saraiva Amando Alencar é esposa de um delegado da Polícia Civil e teria sido aprovada em concurso público a partit de por uma fraude
Waldir Luiz de Araújo Gomes, servidor do Tribunal Regional Eleitoral da Paraíba (TRE-PB), também teve papel relevante no esquema de fraude em concursos, sendo identificado como “Mister M". A Justiça aponta que ele atuava como coordenador de local de prova dos concursos, o que permitia acessar e violar malotes, obtendo provas antes da aplicação e repassando ao grupo criminoso.
Mércio Xavier Costa do Nascimento é irmão de Gustavo Xavier, Delegado-geral da Polícia Civil de Alagoas, e teve o gabarito idêntico ao de outro citado nas investigações.
Alvanir Gomes da Silva teria atuado ativamente na fraude do concurso da Polícia Federal e foi beneficiado com a fraude no CNU, ainda de acordo com a PF.
Wanderlan Limeira de Sousa, Wanderson Gabriel de Brito Limeira, Larissa de Oliveira Neves, Valmir Limeira de Souza e Wanderlan Limeira de Sousa, integrantes da família Limeira que já foram investigados por fraudes no CNU, também são citados na investigação.
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O que dizem os citados na investigação
O g1 entrou em contato com o delegado-geral da Polícia Civil, a Secretaria de Segurança Pública de Alagoas (SSP-AL) e também a Polícia Civil do estado. A SSP-AL disse que só vai se pronunciar quando for formalmente informada dos acontecimentos. O delegado e a Polícia Civil não responderam até a última atualização desta reportagem.
A Rede Paraíba entrou em contato com o TRE-PB sobre o servidor Waldir Luiz de Araújo Gomes. O órgão disse que não iria se pronunciar acerca de assuntos que não foi oficiado formalmente. Waldri não foi localizado para comentar.
A Câmara Municipal de Arapiraca também foi procurada para falar sobre o vereador Ramon Izidoro, mas não obteve resposta até a última atualização desta reportagem.
As defesas dos outros citados não foram localiizadas.
Máfia dos concursos com sede na Paraíba
A Polícia Federal descobriu um esquema de fraudes em concursos públicos liderado por uma família de Patos, no Sertão, que cobrava até R$ 500 mil por vaga. No ano passado, no âmbito dessas investigações contra o grupo, uma operação da PF cumpriu mandados de busca e apreensão, além de prender o líder do grupo, para desarticular a organização. Esse chefe, inclusive, morreu na Paraíba, no ano passado.
O grupo usava tecnologia para burlar os sistemas de segurança das bancas, incluindo dublês, pontos eletrônicos implantados cirurgicamente e comunicação em tempo real durante as provas.
Os valores exigidos variavam conforme o cargo e o grau de dificuldade do concurso e, além de dinheiro vivo, o grupo aceitava pagamentos em ouro, veículos e até procedimentos odontológicos como forma de quitar a propina, segundo a investigação.
A investigação indica que os crimes já aconteciam há mais de uma década. Durante todo o período, o grupo teria vendido aprovações, corrompido agentes de fiscalização e utilizado mecanismos sofisticados de fraude e falsificação para garantir cargos de alto escalão.
Segundo a PF, as fraudes alcançaram concursos da Polícia Federal, Caixa Econômica Federal, Polícias Civil e Militar, Universidade Federal da Paraíba (UFPB), Banco do Brasil e até o Concurso Nacional Unificado (CNU).
Como era o esquema familiar que cobrava até R$ 500 mil por cargo público
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